Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

Arboricultora???

De Caneças, quase frente ao coreto, partia, quase de madrugada, a camioneta da carreira para Lisboa.
Hoje, diria tratar-se de uma velha camioneta de passageiros muito parecida com aquelas que vão gemendo montanha acima, num desses países do terceiro-mundo, (…) Subíamos, na carreira, como se chamava, a ladeira da Costa, atravessávamos quase a Lisboa antiga, que hoje, se quisesse descrever não teria como, tais as mudanças operadas, entre o progresso e o desalinho, baseado no primado do Poder económico sobre o equilíbrio estético da cidade das Sete Colinas, dos bairros antigos, dos fadistas, da gente simples, dos vendedores e dos pregões (…)”
 
 
Como já se deve ter percebido, Arboricultora era o nome da camioneta de Caneças que levava as pessoas para Lisboa; e não Arboricultura que significa cultura de árvores.
 
A empresa Arboricultora Lda. de Caneças, situava-se no actual parque de estacionamento dos autocarros da Rodoviária de Lisboa, mesmo ao lado do Largo Dr. Manuel de Arriaga. Provavelmente o nome Arboricultora, estará relacionado com o facto de os proprietários terem um viveiro de flores, e não só, em Caneças.

fontes:
- http://diariodeodivelas.com/classe_14.htm
- http://montemor-loures.blogspot.com/
- http://arquivo.forum.autohoje.com/topic.asp?TOPIC_ID=38958&whichpage=14
- http://montemor-loures.blogspot.com/2007/11/gua-da-boa-vontade.html
- http://arquivo.forum.autohoje.com/topic.asp?TOPIC_ID=38958&whichpage=13
tags:
publicado por Fontenário de Criação! às 00:11
link | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

Carta de Cesário Verde...

"(…) Sabes, já tenho casa em Caneças, é na situação e por acaso tem o feitio que eu tinha imaginado, e que eu havia indicado a meu pai e a meu irmão, que lá foram.
 
A minha nova pequena casa é tudo o que há de mais rústico e de mais pitoresco; da janela do meu quarto, estendo o braço, toco a rama dum pinheiro balsâmico e bravo. De roda tudo pinhais espessos e rumorejantes. Não fica na Caneças oficial, dos Hintzes e dos hotéis; fica longe, do outro lado das ribeiras e dos pomares, no sítio a que chamam O lugar d’além. Sabes quem fez esta minha habitação? Foi o próprio dono, mestre carpinteiro e marceneiro, à hora presente fabricando com mais 30 carpinteiros, numa grande oficina do Aterro, uma rica mobília para a princesa de Orléans. (…)"
 
Cesário Verde, 16 de Junho de 1886
 
Cesário Verde, procurou Caneças na tentativa de que os bons ares que aqui se respiravam o restabelecessem da doença que então o atormentava, e lhe tinha levado já dois irmãos (tuberculose). Aqui aluga uma casa onde evidenciatudo o que há de mais rústico e de mais pitoresco, como ele dizia na Carta que escreveu ao Conde de Monsaraz. A casanão ficava no centro de Caneças,mas entre pinhais espessos e rumorejantes, como ele menciona na carta, e tão perto que da janela do seu quarto, estendendo os braços, podia tocar narama dum pinheiro balsâmico e bravo.
Esta casa situava-se “ do outro lado das ribeiras e dos pomares, no sítio a que chamam O Lugar d’Além”.
 
fonte:
  VERDE, Cesário, A Carta ao Conde de Monsaraz, in Obra Completa de Cesário Verde, org. de Joel Serrão, Lisboa: Horizonte, 1983, p.10
tags:
publicado por Fontenário de Criação! às 23:32
link | comentar | favorito
Sábado, 12 de Janeiro de 2008

Festas Caneças...

• Festa da Páscoa
Procissão em Honra de Nossa Senhora do Rosário.
 
• Festa de São Pedro 29 de Junho
Procissão em honra de São Pedro, padroeiro da freguesia.
 
• Festa de Nª Srª da Esperança 1º Domingo de Setembro
(Casal Novo) .
 
• Celebração da elevação de Caneças a freguesia10 Setembro
A freguesia de Caneças foi criada pela lei nº 413, de 10 de Setembro, de 1915.
 
• Celebração da elevação de Caneças a Vila16 de Agosto
A Lei nº 77/91, de 16 de Agosto, elevou a povoação de Caneças à categoria de Vila, passando a designar-se a povoação como Vila de Caneças.
 
fonte:
 Associação dos Amigos de Caneças, disponível em http://www.amigosdecanecas.org/, acesso em: 12 de Janeiro de 2008
tags:
publicado por Fontenário de Criação! às 23:48
link | comentar | favorito
Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Investigações...

Tendo em conta o facto de algumas cenas importantes da história estarem ainda por explorar, nós Fontanário de Criação, não vamos abdicar de ir explorando mais alguns dados históricos. O projecto continuará a ser desenvolvido, mas enquanto isto, mais dados históricos continuaram a ser desvendados.
 
Temos de nos contentar e seguir em frente… é tudo o que resta, a todo aquele que, como nós, viva numa zona com um grande valor histórico-cultural.
tags:
publicado por Fontenário de Criação! às 23:18
link | comentar | favorito
Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

Largo Vieira Caldas

"Em Caneças o “centro” é o Largo Vieira Caldas (…) Aqui se reúnem peças arquitectónicas de notável interesse tais como o Coreto, Igreja Matriz, o Edifício da Antiga Pensão (actual Casa de Repouso), o Edifício da Colectividade (a Sociedade Musical e Desportiva de Caneças), a Casa do Senado de finais do séc. XVIII (também conhecida como Casa do Comandante) e o Prédio Grande (assim conhecido popularmente), um edifício revestido de azulejos que resta como o primeiro a ser construído na vila com mais de dois pisos. (…) Em tempos remotos, o Largo foi um grande terreiro, um espaço amplo onde se reuniam militares em transito para os quartéis ou outros grupos numerosos de forasteiros que animavam e agitavam a, então, pacata e bucólica aldeia saloia de Caneças. “Rossio” era como o povo designava aquela zona. (…) E se ousarmos recuar perto de cem anos, podemos neste mesmo sitio assistir à grandiosa feira de gado que acontecia por alturas da Festa da Páscoa, bem perto de um frondoso olival que emprestava as sombras tão úteis aos piqueniques da ocasião. (…) Com a construção do Coreto, no início do séc. XX, aquele jardim virá a definir-se como espaço mais popular e característico do “centro” da vila, sendo habitualmente designado como o “Largo”. Delimitado por um característico muro de pedra rústica emparelhada, numa intervenção pitoresca que se aproxima do “Lago dos Peixinhos” no Largo Dr. Manuel de Arriaga, mais abaixo ou da Fonte de Piçarras. (…) Inaugurado em 1909, o Coreto (…) constitui um autentico ex-libris do património arquitectónico de Caneças. Ao longo dos tempos foi no jardim do Coreto que se efectuaram os mais significativos eventos públicos: das festas religiosas aos bailes públicos, das “cegadas” de Carnaval às marchas dos Santos Populares, dos Concertos da Banda da Sociedade às reuniões espontâneas de populares, este largo foi vocacionado para as mais diversas manifestações populares, fossem elas de carácter lúdico, cultural ou até politico. Por exemplo, a concentração de centenas de populares em volta do Coreto na manhã de 25 de Abril de 1974, escutando os esclarecimentos informados do saudoso Manuel de Sacavém, há cerca da Revolução dos Cravos. (…) A juntar a todos estes aspectos a relação que o Jardim do Coreto mantêm com a igreja Matriz só vem reforçar a sua importância no centro da vila. (…) Enquanto a Igreja, com toda a carga simbólica que lhe está associada, é o lugar das manifestações religiosas e da sacralização da festa, (…) o Jardim do Coreto funciona como extensão dessas realizações festivas mas alargando-as a um âmbito profano (…) produzindo um diálogo de grande riqueza urbana. (…) Quando há cerca de 75 anos o edifício do Mercado antigo foi construído (…) estava fechado o triângulo óbvio de um centro urbano tradicional: a Igreja, o Coreto e o Mercado. (…) O jardim traçado à frente da escola (…) só ocasionalmente era frequentado pelo povo nos seus passeios domingueiros, deixando-o nas épocas estivais como “Cartão de Visita” para os veraneantes, forasteiros e outros visitantes a quem este espaço parecia melhor dirigir-se. Tanto assim foi que antes da década de 1950, foram os próprios veraneantes a contribuir para a construção de um ringue de patinagem naquele lugar, posteriormente destruído com a construção da escola. (…) Assim aquela zona estava decididamente conotada com outras gentes e, apesar do ringue de patinagem ter durado pouco tempo, constata-se que nunca aquele espaço terá convidado ou motivado hábitos de frequência por parte da população local. (…)"
 
fonte:
 NUNES, Paulo Simões, Largo Vieira Caldas ou Largo do Coreto – o “espírito do lugar”, O Caneças, Caneças, Julho 2006, nº2, p.5
...
tags:
publicado por Fontenário de Criação! às 00:23
link | comentar | favorito

Chafarizes de Caneças...

"Se o lema “a água é fonte de vida” é hoje utilizado nos mais diversos contextos como uma verdade insofismável, fazendo cada vez mais sentido num planeta que caminha a paços largos para a escassez dos seus recursos naturais. Na história de Caneças esta relação entre a água e a vida das suas gentes é um dos seus mais fortes valores culturais. (…) Foi em fontes, bicas e chafarizes que, durante séculos, sucessivas gerações de antepassados nossos se abasteceram de água para as suas necessidades mais elementares. (…) Os chafarizes acabaram por representar um importante papel no desenvolvimento social e cultural das populações. (…) A recolha de água constituía um momento de fraca sociabilidade, troca de informações e convívio. Enquanto enchiam de água as bilhas, os jarros, ou os baldes, as mulheres tagarelavam, bisbilhotavam e mexericavam sobre as vidas alheias, convertendo estes sítios em autenticas assembleias populares. Locais de reunião, conversa e servindo até para encontros fugazes de namorados, os chafarizes povoaram os lugares e o imaginário colectivo. Não vai muito longe o tempo em que as raparigas se perdiam em conversas amorosas junto ao chafariz quando iam com as bilhas de barro buscar água para o jantar que, naturalmente, acabava sempre retardado. Com os decorrer dos anos, foram criadas redes de abastecimento de água nos domicílios e os chafarizes perderam a sua função principal. (…) Os chafarizes passaram a ser objectos que “embelezam” e marcam os espaços públicos, quer pelo seu traçado escultórico, que pela sua integração no espaço urbano ou, muito simplesmente, pelo encanto do seu jorro de água (…)"
 
fonte:
  NUNES, Paulo Simões, Histórias de água e de vida, O Caneças, Caneças, Abril 2007, nº4, p.5
...
tags:
publicado por Fontenário de Criação! às 00:20
link | comentar | favorito

Praça Dr. Manuel De Arriaga...

"Chegadas e partidas das “camionetas da carreira” da Arboricultura autentico acontecimento mundano que a nossa curiosidade invadia vendo quem ia para essa “terra” tão distante que era Lisboa, terra de sonhos inatingíveis que preenchiam o nosso utópico mundo de infância (…) dizendo adeus a quem partia, muitas vezes algum primo ou prima, a quem pedíamos que nos trouxesse algum brinquedo ou bola dessa terra distante, como se trata-se de uma longa viagem ao estrangeiro. (…) É que o Largo Dr. Manuel de Arriaga era, de facto, autêntico lugar de animação quotidiana, lugar de passagem e vaivém permanente do transito de passageiros “camionetas”. (…) E, aquilo que nos recorda um passado tão remoto que mais parecem historias de ficção para contar aos nossos filhos, é hoje em dia um pequeno espaço abandonado no centro da vila, vitima de uma evolução imparável da “vida moderna” que estrangulou e asfixiou esse lugar onde a nossa imaginação não conhecia limites. (…) Veio liceu, faculdade e o trabalho (…) e o “largo dos peixinhos” lá estava sempre a despedir-se de nós em cada manhã ou dar-nos as boas vindas ao final do dia quando regressávamos a casa, servindo de ponto de encontro natural para a troca de novidades, intrigas e de curiosidades. (…) Acredito que cada um de nós, de todos nós que nascemos e fomos criados em Caneças, tem a sua história do “largo dos peixinhos” para nos contar. (…) Com a transformação dos tempos e as nossas vidas, e sobretudo com proliferação das “carreiras” para vários destinos em Lisboa, a ocupação do largo excedeu os seus limites, convertendo-se num espaço confuso e perdido no meio das pessoas que, com a pressa da vida contemporânea, o atravessam a correr para chegar aos seus destinos ou afazeres. (…) O “largo dos peixinhos” deixou de ser o espaço a aprazível de outros tempos. (…) Enriqueciam as nossas gentes que sabiam receber e hospedar os forasteiros com honra, dignidade e elevação. (…) No lugar onde em tempos existia um chafariz (…) foi decidido construir um jardim com um desenho, elementos vegetais e bancos, que dignificassem este espaço situado no centro da vila e, qual cartão de visita, fosse convertido num lugar aprazível e acolhedor, que para os da terra, quer para os forasteiros. (…) O chafariz foi transladado para o largo da infância, e é aqui notificado como um interesse conjunto em pedra com quatro bicas e uma bacia de formas ovais, autónomo no espaço e dispondo de acesso por um plinto de três degraus. (…) Em prole da nossa cultura, todos os lugares tem uma alma uma vida e uma história para contar."
 
fonte:
  NUNES, Paulo Simões, Todos os lugares têm uma alma, uma vida e uma história para contar, O Caneças, Caneças, Março 2006, nº1, p.5
...
tags:
publicado por Fontenário de Criação! às 00:14
link | comentar | favorito
Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

Caneças e os Veraneantes...

"O Largo Dr. Manuel de Arraiga é hoje um dos poucos testemunhos que ainda restam da época áurea em que Caneças era visitada pelos famigerados “veraneantes”, gentes que vinham de fora geralmente de Lisboa, sendo uns mais ilustres que outros, para usufruir dos bons ares das nossas serras e das boas águas das nossas fontes. Traziam novidades, boa disposição e dinheiro, e enquanto aqui permaneciam na época estival enchiam de vida e animação uma vila rural, humilde e pacata. (…) Caneças era terra famigerada e bem conhecida entre os “alfacinhas” por muitas razões: as “lavadeiras” que lavavam e engomavam a roupa das “senhoras” citadinas; os “aguadeiros” que nas suas camionetas distribuíam água nas famosas bilhas de barro; e os ares, as águas e a infinita simpatia do seu povo que tão generosamente os sabia acolher (…) Na transição do séc. XIX para o séc. XX, quando Sintra começa a conotar-se demasiadamente com a aristocracia e alta burguesia de Lisboa, Caneças surge neste contexto como uma descoberta inédita para os que não podem aceder a sítios tão elitistas e sofisticados. Afinal, para a pequena e média burguesia alfacinha, Caneças também oferecia os melhores ares, as mesmas paisagens e a mesma simpatia dos saloios de Sintra. Porém, ainda lhe acrescentava algo mais: a pureza das suas águas de nascente. É assim que vamos ver nascer um conjunto de equipamentos, como a pensão, os cafés, restaurantes e arranjo arquitectónico das próprias fontes para satisfazer as necessidades da procura de tal clientela. Caneças soube, na devida época, adaptar-se ao espírito do tempo."

 

fonte:

NUNES, Paulo Simões, Todos os lugares têm uma alma, uma vida e uma história para contar, O Caneças, Caneças, Março/Junho 2006, nº1, p.5

...

tags:
publicado por Fontenário de Criação! às 23:48
link | comentar | favorito

.Procurar neste blog

 

.Últimas!

. Arboricultora???

. Carta de Cesário Verde...

. Festas Caneças...

. Investigações...

. Largo Vieira Caldas

. Chafarizes de Caneças...

. Praça Dr. Manuel De Arria...

. Caneças e os Veraneantes....

.Arquivo

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007